O último livro que li foi O Guardião, por Daniel Polansky, e acho que ele merece uma resenha.
O livro foi publicado pela Geração Editorial e é o romance de estreia do autor, que é o primeiro livro da Trilogia da Cidade das Sombras.
Logo de cara me apaixonei pela personagem principal, que durante o livro inteiro é chamado de Guardião (seu nome não é mencionado nem uma vez sequer durante a história), e tem uma personalidade muito cativante.
Não dá pra dizer que ele é o tipo querido nem de longe: ele é do tipo inteligente, sarcástico, e que acha a vida uma droga e algo muito simples. Ele não tá nem aí pra muitas coisas que a maioria das pessoas dá importância, como ser alguém na vida.
No resumo, os críticos disseram que em O Guardião Tolkien se encontrou com Tarantino. Concordo com alguns leitores que disseram que não chega perto nem de um, nem de outro. A fantasia criada por Daniel é simples se comparada com a de Tolkien. Certo é que o livro é interessante e cativante, mas eu já li obras que são bem melhores.
Um dos pontos negativos de O Guardião é que as coisas acontecem muito rápido e aparentemente sem motivo: algo que parece característica de um autor iniciante mesmo. Outra coisa é que como é narrado em primeira pessoa, pelo Guardião, você não se apega muito a outros personagens, e como o Guardião pouco se importa com as outras pessoas, a visão sobre eles é um tanto limitada.
A personalidade do Guardião, no entanto, é o que deixa o livro mais divertido pra mim.
Suas respostas frias, muitas vezes sarcásticas e seu humor negro e falho é a melhor coisa do livro. É muito divertido, e prende de verdade. Tenho certeza que só terminei de ler esse livro por causa da personagem principal.
Tem outro ponto negativo, que me deixou curiosa: existem várias raças no livro, como os humanos e os kirens. Várias nações também, mas Daniel fala realmente pouco sobre eles. Você nem mesmo tem uma visão de como é o continente da história, o posicionamento das regiões e tudo mais. As formas de magia, que o autor chama de Arte, também são pouco exploradas. O passado do Guardião também não é bem explicado, e eu acho que tudo isso daria um toque bem legal no enredo.
Agora, se tem algo que também me fez achar que o livro valeu a pena, foi o final. Eu sinceramente não imaginava que o desfecho seria aquele, de fato hora nenhuma passou pela minha cabeça. Ser surpreendida é algo que eu gosto muito nos livros, que me faz sentir um encanto por eles e pelo autor.
Em resumo, O Guardião é um livro de "fantasia para adultos", de fato, como está escrito na contra-capa. Não indicaria ele para menores de 18 anos, pois apesar de não ser tão pesado assim, tem palavras bem vulgares e bastante violência. Admito que não é o melhor livro que já li, mas não foi, nem de longe, perda de tempo.
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