Nirina
estava sentada com Arthus à sala de estar, seu cômodo preferido da casa que
morara durante tantos anos. Aproveitava para ouvir pelas últimas vezes os
ensinamentos de seu mestre. Hazael não saía de sua cabeça, no entanto, e ela
tinha vontade de perguntar mais coisas sobre ele. Ela estava com os pensamentos
distantes enquanto Arthus estava em pé a sua frente, fazendo a água girar em
torno de seu corpo. Nirina o olhava com admiração antes, mas seu mestre percebeu
que seu olhar havia ficado distante. A aprendiz parou completamente de prestar
atenção e Arthus se calou, sem que ela percebesse.
Fazendo
sua expressão se tornar mais severa, Arthus fez com que um pouco de água
espirrasse no rosto de Nirina com um leve movimento da mão direita. O resto da
água ficou parada no ar, obedecendo a seu comando, enquanto ele ria do susto
que a garota havia levado.
—
Arthus! — exclamou, passando as mãos pelo rosto molhado. — Isso não teve graça!
—
Achei bem o contrário — disse, parando de rir. — Você estava tão distraída que
eu não consegui me segurar. Além disso, eu parei de falar e você nem percebeu.
—
Sinto muito, mestre — disse juntando as mãos na frente do corpo, se
desculpando. — Estava mesmo distraída.
—
Posso saber o que passava pela sua mente?
Nirina
torceu os lábios, desaprovando. Arthus esperou um “Não”, mas a resposta que
recebeu foi diferente.
—
Não consigo parar de pensar naquele mago que você disse que ajudou a fugir,
Hazael. Foram muito injustos com ele, ele parecia um bom homem.
—
Essas coisas acontecem, Nirina — ele disse, com um sorriso comovido e um
suspiro. — Esse mundo na maioria das vezes é injusto. Eu também achei que ele
não merecia, por isso o ajudei. Mas agora, sabe-se lá por onde ele anda. Espero
que ele esteja bem, no entanto. — Arthus ordenou que a água flutuasse até a
janela, e a deixou cair do lado de fora da casa.
—
Eu também espero. Do fundo do meu coração — ela se levantou, passando as mãos
por seus fios escuros. — Devo visitar Riana, já é meio da tarde. Eu posso ir?
—
É claro — assentiu Arthus. — Apenas volte antes do escurecer, partiremos ao
amanhecer. Suas coisas estão todas prontas?
—
Sim, senhor — ela sorriu. — Pode deixar, voltarei antes do anoitecer.
Nirina
saiu sem sua capa dessa vez, mas escolheu uma túnica comprida até seus
tornozelos e uma calça comprida sob o tecido preto. Era larga e confortável, e
a aprendiz adorava andar usando-as. Perguntava-se se teria que vesti-las quando
fosse uma maga da Corte.
Pegou
as estradas laterais, como Arthus sempre pedia. Por um instante pensou apenas
em Riana e como a amiga estaria, nem mesmo passou pela sua cabeça a casa de
madeira abandonada na clareira. Seguiu seu caminho sem conseguir parar de
pensar em Hazael.
Riana
se despediu de Ian e Hazael mais cedo do que o de costume. Precisaria ajudar
sua mãe com alguns afazeres em casa e os avisou. Estava progredindo com a magia
negra, e agora já conseguia invocar os espectros geralmente na segunda
tentativa. Estava aprendendo como controlá-los – era realmente mais difícil do
que aparentava, mas conseguia. Ian era paciente e atencioso e um ótimo
professor.
Quando
foi se despedir de Selene, no entanto, a maga segurou suas mãos e a olhou.
—
Eu observei o caminho que você costuma fazer de volta até sua casa quando deixa
este lugar — Riana a observou surpresa, mas manteve-se em silêncio, escutando.
— Sugiro que saia da estrada da floresta o mais rápido que puder e pegue as
estradas laterais. É bem mais seguro e bem menos suspeito. Tudo bem?
—
É claro — disse a aprendiz, sorrindo. — Farei isso, Selene, não tenha dúvidas.
—
Tenha cuidado em seu caminho.
Riana
assentiu com a cabeça e se virou. Saiu da casa e fez como Selene havia pedido:
deixou as estradas da floresta o mais rápido que podia e pegou as estradas
laterais, tomando o caminho para casa.
Nirina
já podia avistar a entrada da cidade de Ima. Estranhou quando passou pelas ruas
mais movimentadas e teve a impressão de estar sendo observada por cada pessoa
que estava ali. Os pedestres a olhavam e comentavam entre si, baixinho. Depois,
lembrou-se: as pessoas já deviam estar sabendo de que ela era a mais nova maga
clarividente do reino. Notícias corriam rápido naquela cidade, ainda mais pelos
bairros mais distantes do centro, onde ficava o palácio do Rei.
A
jovem maga chegou até a casa de Riana e bateu na porta, esperando por uma
resposta. Assim que a mãe de Riana surgiu, ela abriu um sorriso.
—
Boa tarde, Aldara. Riana está?
—
Boa tarde, Nirina — a mulher respondeu, com um sorriso carinhoso. Depois, a
expressão foi substituída por uma de dúvida. — Estranho. Riana saiu dizendo que
iria até a sua casa.
—
Mesmo? Podemos ter nos desencontrado então enquanto eu vinha para cá.
—
Pode ser, mas — pausou, um pouco preocupada — há um tempo que ela saiu.
—
Não se preocupe, não deve ser nada de mais. — Nirina sorriu novamente. — Eu vou
fazer o caminho de volta e ver se ela está com Arthus.
—
Pode fazer o favor de me avisar rápido, caso não a encontre?
—
Com certeza farei isso. Mas tente não pensar, tudo bem? Nada de ruim deve ter
acontecido. Notícias ruins chegam rápido, você sabe — disse a aprendiz, em uma
tentativa de tranquilizar a mãe.
—
Você tem razão. Cuide-se, sim?
Nirina
assentiu e, com uma leve reverência, virou-se. Suspirou um tanto cansada pelas
caminhadas e um pouco decepcionada por não ter encontrado a amiga em casa.
Agora, onde estaria ela, se havia dito que iria para sua casa? Teria mentido ou
passado em outro lugar antes, atrasando sua chegada?
A
maga se conformou de que teria que andar um pouco mais e tomou o caminho de
volta. Andou pouco pelas estradas laterais até sua atenção ser atraída por uma
jovem que andava com um capuz cobrindo sua cabeça. As duas faziam o caminho
oposto, se aproximando. Assim que chegaram mais perto, se reconheceram.
—
Riana! — exclamou Nirina, correndo até a amiga. — Fui até sua casa, e a sua mãe
disse que você havia ido até a minha.
Riana
sorriu ao encontrá-la, como sempre fazia, e tentou pensar em uma resposta,
rápido. Assim que teve uma ideia, não demorou a dizer:
—
E eu fui até a sua, para ouvir Arthus me dizer que você tinha ido até a minha.
Nirina
parou e olhou em volta. Estava sentindo novamente a energia estranha que havia
sentido do mago de ar na cidade e achou que outra pessoa pudesse estar perto
das duas. Quando se concentrou um pouco mais, foi capaz de perceber que a
energia emanava de Riana.
—
É possível que tenhamos saído ao mesmo tempo, então? — disse Nirina, resolvendo
ocultar o fato de que sentia algo diferente na amiga. — Não pode ser, Riana.
Você não fez isso.
Riana
sentiu o corpo arrepiar, com o medo que as pessoas que ocultam algo sentem ao
menor indício de serem descobertas.
—
O quê? — perguntou Riana, sem abandonar o sorriso.
—
Você tem usado as estradas da floresta? Porque eu andei o tempo todo pelas
laterais e não a vi!
Riana
riu. Não precisou se esforçar para que o riso fosse de convincente satisfação.
—
Decidi testar — parou de rir e sorriu, olhando para baixo. — Elas não são tão
complicadas assim de andar.
—
Não mesmo. E muito mais rápidas!
—
Bem, vamos ficar conversando aqui ou vamos para outro lugar?
—
Podemos ir até a sua casa que fica mais perto, ou podemos ir para a minha assim
você pode ver Arthus. Tenho algumas coisas para contar.
—
Então, a sua. Faz tempo que não converso com o mestre.
Nirina
assentiu e as duas tomaram o caminho. A maga de água não conseguiu manter o
silêncio, no entanto.
—
Riana — começou, fazendo o coração da amiga acelerar. — Você tem feito algo
diferente nesses últimos dias?
—
O que quer dizer com diferente, Nirina?
—
Você sabe — a maga olhou para a amiga de forma questionadora. — Algo que foge à
sua rotina.
—
Não. Exceto pelo fato de que tenho ido mais à biblioteca. Meu pai decidiu que
quer que eu melhore a minha leitura — respondeu, no tom mais natural que
conseguia. — Se refere a isso?
—
Isso — sorriu Nirina, assentindo. Resolveu que não falaria mais nada a respeito
disso e depois contaria a Arthus.
Quando
as duas entraram na casa, Arthus as recepcionou com um bolo que havia feito enquanto
Nirina estava fora e chás. Riana sorriu ao vê-lo e ele a recebeu com um abraço,
confirmando que fazia mesmo tempo que não se encontravam para conversar.
Os
três se sentaram à mesa a pedido de Nirina. A maga quis que Arthus ficasse
junto para explicar melhor a situação à Riana.
—
Parece que as pessoas da cidade já sabem — disse Nirina, olhando para a amiga.
— Ficou sabendo de alguma notícia sobre mim esses últimos dias?
—
Não — disse Riana, franzindo a testa. — Havia algo para saber?
—
Nirina está desenvolvendo habilidades de clarividência — respondeu Arthus com
um sorriso.
—
Sério!? — exclamou a amiga, surpresa. — Isso é ótimo, Nirina! Exatamente como
Zahra, a sua maga preferida!
—
Sim, exatamente como Zahra — sorriu a aprendiz. — Eu falei com ela.
—
Falou? E quando isso aconteceu?
Riana
estava feliz e empolgada pela amiga. Poucos magos clarividentes existiam, e
agora ela estava mais perto de ser como aquela que sempre admirara.
—
Ontem. Arthus quer que eu inicie meu treinamento como clarividente o mais cedo
possível. Coisas não muito boas podem acontecer se eu não me treinar. As visões
ficarão cada vez mais frequentes se eu não souber controlá-las. Se eu saísse na
rua assim, enxergaria o que aconteceria a cada segundo com todas as pessoas e
ouviria as vozes — pausou, rindo baixinho enquanto tentava imaginar. — Isso não
deve ser nada agradável.
—
Sim, concordo — assentiu Riana.
—
Por isso, Arthus mandou uma carta urgente ao Rei, que imediatamente entrou em
contato com Zahra. Como clarividente do reino, ela será agora a minha mestra.
—
Isso é incrível, Nirina! É mais do que você sempre quis — ela sorriu, segurando
as mãos da amiga. — Você sempre sonhou em conhecê-la, mas agora ela será sua
mestra! Devíamos comemorar.
—
Não vai dar tempo — disse, com um sorriso comovido. — Zahra veio aqui ontem e
queria que eu partisse para a Corte hoje. Eu disse que precisaria de um dia a
mais, para me despedir de você, e que partirei amanhã. Minhas coisas estão
todas prontas e eu e Arthus partiremos ao amanhecer.
—
Então Arthus vai junto para continuar te dando aulas?
—
Não — respondeu, agora com um sorriso triste. — Arthus não é mais mestre de
aprendizes do reino e não pode mais ensinar, portanto, precisarei de outro
mestre quando chegar lá. Terei Zahra como mestra nas magias clarividentes e
outro mestre para magias de água.
—
Ah — Riana resmungou, um pouco triste. — Arthus vai ficar aqui então?
—
Sim — o mestre respondeu, pousando uma mão sobre o ombro de Nirina. — Ficarei
morando aqui.
—
Essa é a única parte de que não gostei — disse Nirina, deixando sua mão sobre a
de Arthus. — Morei muito tempo com Arthus e ficar longe dele será como ficar
longe da minha família. Mas ele disse que poderemos nos ver e que eu poderei
escolher um bom mestre para mim. Zahra disse o mesmo. Se eu não gostar do novo
professor, ela trará outros para que eu me adapte bem.
—
Uau, você é importante agora! — disse Riana, sorrindo alegremente. — Você vai
participar das reuniões da Corte e vai conhecer o Rei Nasser, vai ver a família
real e conhecer os exércitos, soldados e os outros magos ao serviço do Rei! Eu
queria muito poder ir com você — acrescentou, com os olhos brilhando.
—
Seria ótimo, Riana. Nós vamos poder nos ver também, quando eu fizer as visitas
a Arthus.
—
Isso é fantástico, Nirina, estou muito feliz por você.
Arthus
se levantou e serviu mais um pouco do chá que estavam tomando.
—
Como vai sua família, Riana?
—
Estão todos ótimos. Meu pai decidiu que quer que eu melhore minha leitura e eu
tenho pegado mais livros na biblioteca da cidade. Remi está bagunceiro como
sempre e minha mãe está bem. Estava gripada até ontem, mas agora sua saúde tem
melhorado, nada grave.
—
Isso é bom. Tem alguma novidade para nós?— disse Arthus, inocentemente.
Riana
olhou em volta como se procurasse o que dizer e refletiu sobre como as
perguntas dos dois pareciam querer obter uma resposta além das coisas que ela
revelava. Balançou a cabeça devagar como se quisesse espantar os pensamentos,
sabendo que isso era apenas coisa de sua cabeça.
—
Não — limitou-se a dizer, pegando mais um pedaço de bolo. — Você é um ótimo
cozinheiro como sempre, Arthus.
Os
três continuaram a conversar enquanto Riana não parava de pensar na casa da
floresta e se Hazael, Ian e Selene se mudariam daquele lugar em breve. Esperava
que sim e agradeceu por Nirina ainda ser uma clarividente inexperiente, caso
contrário, poderia ler seus pensamentos superficiais se desejasse.
Nirina
esforçava-se para parecer natural, mas a energia que emanava de Riana era
constante. Tinha certeza que sua amiga estava se envolvendo com atividades
diferentes e que não eram apenas livros. Esperaria até que ela fosse embora e
então conversaria sobre isso com Arthus.
Conversaram
animadamente e sobre diversas coisas até que a tarde terminasse e o céu
começasse a escurecer. Riana se levantou do sofá e sorriu, dizendo que era
melhor que fosse embora antes que sua mãe se preocupasse.
—
Vá mesmo — disse Nirina — e rápido. Pois ela ficou preocupada quando nos
desencontramos.
—
Vou rápido, pode deixar — riu, então se aproximou da amiga e segurou suas mãos.
Nirina sentiu sua presença ficar mais forte. — Tenha boa sorte em sua viagem,
Nirina, e aproveite as coisas novas. Tanto as boas quanto as ruins, que com
certeza virão — ela deu um sorriso carinhoso. — Assim como Arthus, estou certa
de que você conseguirá lidar com tudo o que acontecer. E quero saber de todas
as novidades!
—
É claro, eu vou te deixar a par de tudo — riu Nirina, apertando as mãos da
amiga.
—
Venha me visitar algumas vezes, Riana, quando Nirina estiver aqui então podemos
relembrar os velhos tempos.
Nirina
ficou um pouco triste diante da sugestão de Arthus, mas estava se conformando
de que assim deveria ser.
—
Cuide-se, Riana. Diga a sua mãe o que aconteceu e mande um abraço para ela —
disse Nirina. — Agora vá, antes que escureça e as estradas fiquem perigosas.
—
Cuidem-se.
Riana
andou até a porta seguida por Arthus e Nirina. As duas se abraçaram e Arthus
manteve um olhar triste no rosto enquanto olhava para a sua aprendiz. Assim que
Riana se distanciou, Nirina voltou-se ao mestre:
—
Vamos entrar? Eu preciso falar com você.
—
Claro — assentiu Arthus, preocupado.— Claro que sim.
—
Arthus — ela começou, tão logo os dois entraram na sala — há algo diferente com
a Riana.
—
Como assim? — perguntou o mestre, erguendo uma sobrancelha. — Eu não percebi
nada de estranho, ela agia naturalmente.
—
Não é o modo de agir, ela agiu naturalmente, é outra coisa.
—
Pois então... O quê?
— Lembra
aquele mago de ar que eu encontrei na cidade quando tentei ver Zahra chegando?
—
Lembro — assentiu. — De fato, não falamos mais sobre isso.
—
Então. A energia que eu senti emanando dele, aquela energia sufocante... Uma
presença diferente... O que é?
—
Eu não entendo o que isso tem a ver com Riana, mas — Arthus ergueu uma
sobrancelha — você é uma maga clarividente. Sabe que existem magos negros, que
se baseiam em magia invocativa, pois já lhe disse isso. Os magos negros
costumam batalhar contra os clarividentes porque seus espectros possuem uma
vantagem, a vantagem de não ter mente. Os clarividentes não podem prever os
movimentos dos espectros como seriam capazes de fazer com os outros magos comuns, e não sei dizer ao certo se por
necessidade, desenvolveram a capacidade de sentir a presença de magos negros.
Mas — parou, olhando-a sério enquanto ela ficava em silêncio — o que foi?
—
Você está querendo me dizer que Riana está se envolvendo com magia negra? Mas como
isso é possível? Não é preciso ser filho de magos pra controlar um dos
elementos?
—
De fato — assentiu. — Riana nunca poderá controlar um dos elementos, mas faz
sentido ela aprender magia através da magia negra. Ela é o único tipo de magia
que pode ser ensinada a pessoas sem sangue de mago. Não tem nada a ver com os
quatro elementos.
—
Sempre soube que ela desejava ser uma maga, mas não imaginei que ela iria
realmente insistir na ideia.
—
A magia negra não é tão ruim quanto as pessoas pensam — disse Arthus. — O maior
problema a seu respeito são os riscos. É algo arriscado de fazer. Necessita do
seu sangue para que um espectro o reconheça como mestre, mas não só isso. Tudo
o que um espectro sofrer, se reflete no invocador.
—
Como... Se um espectro levar uma facada, o invocador...
—
Pode morrer — completou ele. — Os espectros são algo estranho, como é de se
esperar. Quando se olha para eles, parecem não ter corpo por baixo da túnica.
Mas são perfeitamente tocáveis, razão pela qual se pode bater ou até mesmo
esfaquear um deles. Isso torna a magia um grande risco. Vi vários magos
inexperientes morrerem assim.
—
Como se controla?
—
Com a mente. Os magos negros geralmente estão afastados do campo de batalha,
extremamente concentrados. Os espectros são poderosos, no entanto. O melhor
jeito de derrotá-los é encontrar o mago que o invocou e matá-lo. A concentração
para controlar deve ser intensa, por isso eles ficam vulneráveis.
—
Riana... Uma maga negra... — suspirou Nirina.
—
Tem certeza que não está confusa, Nirina? Seus sentimentos de clarividente
podem estar se enganando, visto que você não tem como controlá-los.
—
Não — disse, balançando a cabeça negativamente, rápido. — Não, eu sei o que eu
senti. Depois de encontrarmos o mago de ar na cidade... — ela parou, como se
algo atingisse sua mente de repente. — Foi ele. Eu percebi que eles
conversavam, mas nunca imaginei que seria sobre isso.
—
Você se lembra do rosto dele?
—
Sim, eu lembro. Eu tenho certeza que foi ele quem a ensinou magia negra, ou que
a persuadiu. —Mordeu o lábio inferior, pensando. — Mas não há tempo para falar
com ela antes de partir, há?
—
Receio que não, a não ser que você esteja disposta a viajar comigo até a cidade
agora para encontrá-la.
—
Deixe — suspirou, com um leve movimento da mão. — Nem mesmo sei se meus
sentidos estão mesmo corretos. Vou esperar, deixar que o tempo passe, e se em
nosso próximo encontro eu sentir a mesma coisa, questionarei.
Uma guerra? Amigas lutando entre si? Continue a acompanhar essa incrivel aventura~~
ResponderExcluirHazael nem tirou onda no capitulo! xD
Hahahaha, é o que todo mundo pensa da história entre a Nirina e a Riana. Mas eu vou adiantar que não: a história entre as duas vai bem além do que uma contra a outra!
ExcluirObrigada pelo comentário, Sckay! <3