Hazael
andou distraído pelos arredores da casa, aliviando a mente e tentando não refletir
tanto, mas era impossível. Sentia que muitas coisas estavam para acontecer.
Zahra
havia voltado inesperadamente ao reino, justo quando Hazael esperava tentar contatar
um antigo conhecido. Não poderia chegar perto de Zahra, ou ela sentiria a magia
negra. “Agora, mais essa Nirina”, meditou. “Preciso dar um jeito de transformar
essas duas em minhas aliadas”.
Lembrou-se
das palavras de Ian como um filme.
“Eu
consegui sentir a presença dela, fraca, mas estava lá. Duvido até mesmo que ela
saiba que é uma maga clarividente. Quando olhei para ela, ela estava olhando
para mim. Então tive certeza que ela pode sentir minha presença. Assim que saí
andando, ela veio atrás de mim. Pobre maguinha, nem mesmo desconfiou que eu a
tivesse notado pela presença mágica, sem olhar para trás. Enquanto ela se
perguntava para onde eu tinha ido no beco, voei para cima de um dos telhados e
corri sobre eles até Riana, a garota que estava a seu lado. E então a conversa
não demorou muito”.
Hazael coçou a
cabeça. Sempre se perguntava como Ian conseguia ser tão esperto em relações
sociais. O mago de fogo devia admitir, seu amigo era ótimo em persuadir as suas
vítimas e sua boa aparência apenas tornava o trabalho mais fácil.
“Eu disse ‘Como é o
seu nome? E o da sua amiga maga?’ e ela simplesmente respondeu. ‘Você tem
vontade de aprender magia. Eu posso lhe ensinar’, chutei. Por sorte, ela
confirmou! Acho que foi isso que a fez aceitar tão fácil o convite de vir até
aqui. É claro, quando disse que podia ensiná-la, ela disse que não acreditaria
tão fácil que eu era um mago. Assim que ela terminou de falar, ela apontou para
Nirina, que provavelmente cansara da tentativa de me encontrar e estava de
volta. Apontou para a amiga e, discretamente, disse ‘Como vou saber se você é
um mago de verdade?’. Respondi com um ‘Hoje à tarde, na casa de madeira na
clareira em meio às estradas da floresta’. Então saí voando. Só para que ela
tivesse certeza. Acho que conquistar a confiança de Riana é um bom método para
conquistar a confiança de Nirina também.”
Ian era mesmo
exagerado às vezes. Hazael tinha certeza que as pessoas da cidade estavam
acostumadas com magos, mas Ian devia conhecer melhor alguns limites.
De repente, enquanto
observava as árvores, sentiu-se curioso em saber o progresso de Riana com a
magia negra. A garota parecia, no entanto, incerta, e tinha quase certeza de
que ela não teria conseguido invocar nenhum espectro àquela hora. Perguntou-se
quanto tempo teria passado ali fora e decidiu que voltaria.
Quando abriu a porta,
viu Riana sentada na mesma cadeira de antes e Ian a seu lado. Os dois estavam
em silêncio e a aprendiz parecia descansar. Puxou Ian para um lado para que
Riana não ouvisse a conversa e, de fato, ela nem deu atenção aos dois.
— Quantas tentativas
ela fez até agora?
— Três — respondeu
Ian.
— Algum progresso?
— Nada ainda. Ela
está indecisa, cheia de dúvidas. Conheço bem esse sentimento.
— Eu também, Ian —
riu Hazael. — Conheço bem esse sentimento. — O mago de fogo já tinha se virado
para se afastar quando se lembrou de algo repentinamente e voltou-se ao amigo.
— Não acha melhor mandá-la embora? Ela vai ficar exausta assim. Diga-a para
voltar amanhã.
— Pode ser uma boa
ideia.
Os dois caminharam
até Riana. Ela ergueu os olhos aos dois e sorriu um tanto decepcionada.
— Acho que não tenho
jeito para isso — disse.
Ian se comoveu.
— Não pense assim,
Riana. Eu avisei que era mais difícil do que parecia e que requer prática. Mas
não adianta praticar por tanto tempo, sua mente e seu corpo precisam de
descanso — completou. — Por que não volta para casa hoje e vem aqui para mais
aulas amanhã? Tenho certeza que isso ajudaria — acrescentou, em tom quase
carinhoso.
— Você pode estar
certo — respondeu Riana com um sorriso fraco, jogando o capuz do casaco sobre a
cabeça. — Eu voltarei aqui a essa mesma hora amanhã.
— Esperarei — disse o
mestre.
Hazael apenas a
cumprimentou com um aceno de cabeça e ela se dirigiu à porta. De repente,
voltou-se a eles.
— O que pretendem
fazer em relação a esse lugar? Não seria melhor se nos mudássemos?
— Olha — disse
Hazael. — Ela já fala como se fosse uma de nós.
— Vou conversar com
Hazael, mas qualquer coisa, avisamos, sem dúvida — respondeu Ian, ignorando o amigo
com um aceno displicente da mão. — Não se preocupe.
— Obrigada — disse
Riana.
Então se virou para a
porta, ignorando mais um dos comentários de Hazael e deixou a casa
definitivamente. Aquela sensação de que poderia estar sendo observada voltou e
ela segurou com mais força o capuz, insegura. No caminho para casa, no entanto,
decidiu que pensaria muito durante a noite e decidiria se continuaria seguindo
o caminho da magia negra. Assim, acabaria logo com a tortura. “Serei uma maga
negra e farei isso bem feito, ou direi a Ian que esquecerei tudo o que
aconteceu e continuarei com minha vida”, decidiu-se. Suspirou satisfeita e
ergueu a cabeça enquanto passava pelas estradas da floresta.
Nirina jantou feliz
com Arthus, adorava as refeições que ele fazia. Conversaram sobre diversos
assuntos, mas sempre por insistência do mestre. A aprendiz frequentemente
ficava em silêncio, pensativa.
— Obrigada pelo
jantar, mestre — disse Nirina, com pesar. Algo a dizia que ela não teria mais
tanto tempo para passar junto de Arthus. Direcionou os olhos ao chão. — Tão
pouco tempo sendo sua aprendiz e eu preciso ir — acrescentou. — Não é justo.
Arthus sorriu,
comovido. Pensou em algo para animá-la e então se lembrou:
— Já pensou quem será
sua nova mestra ao aprender magia clarividente? — disse.
— Pensei — respondeu
Nirina enquanto seu rosto se iluminava com um sorriso sincero. — Mas isso não
muda o fato de que precisarei te deixar.
— Vamos nos ver,
Nirina, eu disse. Não poderei ir até a Corte, mas você poderá sair. Aliás, nem
sabemos ainda qual será a decisão do Rei Nasser. Por que se preocupar tanto
assim? Tem pensado em alguma coisa? Tem a ver com suas visões?
— Não, nada disso —
disse, sorrindo sem graça dessa vez. — Só sentirei saudades suas. E se eu for
embora, quem vai te proteger?! — protestou, permitindo-se brincar. — Você
precisa da minha proteção!
— Preciso mesmo —
respondeu Arthus, rindo. — Mas eu vou conseguir me virar, você vai ver. E vamos
nos ver sempre.
— Bem — disse, por
fim. — Vou me deitar, mestre. É uma pena que eu não tenha cabeça para estudar a
água recentemente.
— Foi só um dia —
consolou-a. — Não se preocupe com isso, existem coisas mais importantes a serem
pensadas agora.
— Tem razão, senhor.
Tenha uma boa noite de sono — ela desejou, sorrindo carinhosamente. — Até
amanhã.
— Durma bem, Nirina.
Quando sua aprendiz
tomou o caminho do quarto, Arthus abriu a gaveta de um dos armários da cozinha
e pegou uma folha de papel, uma caneta e um tinteiro. Endereçando a carta ao
Rei de Sira, Nasser, começou a escrever sobre Nirina.
Ao Rei Nasser, Senhor de Sira.
Venho através desta carta requisitar vossa atenção,
Senhor, a uma aprendiz que tem
desenvolvido habilidades peculiares. A garota esteve sob minha guarda durante
todos esses anos desde que era apenas uma criança, e dez anos depois a iniciei
no ensino de magia de água, como mago de água que sou.
Constatei, no entanto, que ela pode estar
desenvolvendo habilidades de maga clarividente. Imediatamente imaginei que isso
seria de seu interesse e da maga clarividente do reino, a senhorita Zahra.
Peço, com todo o respeito, que envie alguém à minha
casa para ver a aprendiz e para que possamos conversar melhor sobre o que será
feito. Em um papel anexo seguem as instruções de como encontrar minha moradia,
por mais que o Senhor saiba onde ela fica.
Atenciosamente, Arthus de Sira.
Lacrou devidamente a carta e decidiu que acordaria de manhã, cedo, para
levar a carta às casas de entrega e ter certeza de que ela seria entregue tão
rápido quanto possível. Arrumou-se para deitar e pensou com carinho em Nirina.
O caminho em que seus dons a estavam levando não seria assim tão fácil.
Arthus
levantou cedo como havia planejado, sem acordar Nirina, tomou seu café da manhã
e foi até a cidade. Lamentou-se um pouco por ter de fazer tal caminho apenas
para entregar uma carta e desejou morar na cidade pela primeira vez em muito
tempo, mas não se incomodou tanto assim. Podia estar envelhecendo, mas ainda
tinha energia de sobra para as tarefas cotidianas.
Passou
pela frente da casa de Riana na volta, mas não observou nenhuma movimentação.
Decidiu que não incomodaria e tomou o caminho de volta à sua casa, paciente.
Caminhou
devagar pelas estradas laterais enquanto voltava. O dia estava agradável, nem
sinal da chuva que havia caído no dia anterior. Arthus sentiu o vento fresco em
seu rosto enquanto sua túnica voava ao redor de suas pernas, fazendo-o parecer
um mago para qualquer um que o olhasse.
Quando
mais novo, havia sido um homem atraente. Nirina se perguntava se ele sempre
tinha vivido sozinho ou se chegara a ter companheiras. Arthus e ela nunca
falaram sobre isso, pois a aprendiz achava melhor não perguntar.
Agora
o mago já tinha o cabelo um tanto grisalho e a expressão do rosto amena. Não
expressava severidade, ele era simpático e alguém que aparentava ser
naturalmente feliz. Era paciente, dificilmente erguia a voz para algo: um
professor nato. Havia ensinado outros aprendizes antes de Nirina, não muitos,
mas era realmente bom nisso. Ela se perguntava às vezes se teria chance de
conhecer um de seus aprendizes algum dia.
Assim
que Arthus chegou à sua casa, Nirina ainda estava dormindo. Pegou um de seus
livros e se acomodou no sofá, planejando ler até a hora de fazer o almoço. Sua
aprendiz não dava sinais de querer acordar cedo aquele dia, e o mestre pensou
que seu descanso era bem merecido.
As
horas passaram rápido para Riana enquanto ela ajudava sua mãe com os afazeres
domésticos pela manhã. Ela ansiava pela tarde e ainda não estava certa de que
veria Ian e Hazael. Pensou várias vezes em deixar para ir somente no dia
seguinte.
Havia
pensado muito no que fazer durante a noite e considerado novamente o quanto
odiava ter uma vida comum. Continuar se encontrando com os dois magos negros
parecia uma boa alternativa quando pensava em fugir da rotina.
Ajudou
sua mãe com o almoço e em tudo o que precisava. Conversou sobre coisas banais
com seu pai e brincou um pouco com o irmão mais novo, Remi, antes de ir para
seu quarto e passar mais um tempo trancada lá, com a desculpa de que iria
descansar.
Ao
encarar o relógio ao lado de sua cama, viu que ele marcava aquela hora: a mesma
de ontem quando saiu para encontrar Ian na casa da floresta. Se decidisse ir,
já estaria atrasada. Levantou-se da cama e começou a se vestir, fazendo o mesmo
que havia feito na primeira vez: colocou roupas confortáveis para a caminhada e
deixou o sobretudo preto com capuz dentro de sua bolsa. Arrumou as coisas e
desceu as escadas da casa, encontrando a mãe no sofá da sala.
—
Mãe — disse Riana. — Estou indo ver Nirina.
—
Tem certeza de que não quer passar a tarde em casa hoje, minha filha? — disse,
inocente. Por um instante Riana sentiu a pele arrepiar, como se sua mãe
soubesse de algo.
—
Claro, mãe. Só vou fazer uma visita rápida à Nirina e logo estou de volta.
—
Nesse caso, tudo bem. Cuidado pelas ruas.
A
mãe de Riana se despediu dela com um beijo carinhoso no rosto. Riana sentiu o
coração doer por estar mentindo para ela e tomou o caminho para as estradas da
floresta. Ao se afastar da cidade, vestiu o casaco e jogou o capuz sobre a
cabeça.
Não
demorou muito a chegar. Assim que bateu na porta da casa na clareira, Ian a
abriu, sorridente como sempre. Olhou para trás e disse:
—
Viu, Hazael! Eu disse que ela viria! — virando-se para Riana, cumprimentou-a. —
Boa tarde, Riana. Seja bem vinda.
Abrindo
espaço para a nova aprendiz, estendeu um dos braços, convidando-a a entrar.
“Então ele duvidou que eu viria” pensou, lembrando do comentário de Ian. “Ele
duvida de mim. Agora é que virei todos os dias, sem dúvida”.
Quando
Riana olhou para a sala, observou com surpresa que havia outra pessoa ali além
de Ian e Hazael. Olhando um pouco mais, percebeu apesar das roupas largas que
se tratava de uma mulher. Ela não era exatamente bonita, mas seus cabelos, sim.
Eram tão longos quanto os de Riana, mas escuros como os de Nirina. Seu sorriso
era quente e receptivo, e foi com ele que recebeu a aprendiz quando direcionou
seu olhar a ela.
—
Você deve ser Riana — disse, sem abandonar o sorriso.— É um prazer conhecê-la.
Eu me chamo Selene.
—
O prazer é meu, Selene — cumprimentou-a sorrindo também, sendo o mais segura
que conseguia. — É muito bom ter outra mulher por perto.
—
Imaginei que se sentiria melhor mesmo quando Hazael me contou que tinham uma
nova aprendiz. Resolvi vir para ajudar e, embora eu não seja capaz de ajudar
Ian com as aulas, posso te ajudar conversando. Sinta-se à vontade para falar
comigo, tudo bem?
—
Certo, muito obrigada — disse, sentindo-se cheia de carinho pela mulher de
repente. — Mas — acrescentou, com uma expressão interrogativa no rosto — por
que não poderá ajudar Ian com as aulas?
—
Selene não é uma maga negra — respondeu Hazael, se antecipando. — Ela é uma
maga de água que tem um papel importantíssimo entre nós.
—
Que papel é esse? — perguntou. Estava cada vez mais curiosa sobre aquele grupo
e queria saber mais sobre aquelas pessoas.
—
Ela é uma maga de água a serviço do reino. Algumas vezes o Rei requisita seus
serviços como mestra.
—
Por isso você é tão carinhosa? — observou Riana. — Deve ser uma ótima
professora.
Selene
não respondeu, apenas sorriu novamente. Deixou que Hazael falasse, mas logo Ian
interrompeu:
—
Então, Riana, antes de saber se você está pronta para novas tentativas,
deixe-me perguntar outra coisa — Ian se aproximou da aprendiz, olhando-a nos
olhos. — Você sinceramente quer continuar aprendendo magia negra? Lembre-se que
ainda dá tempo de dizer não.
—
Eu quero — disse Riana, determinada. — Hoje vou tentar invocar os espectros com
toda a minha força — acrescentou. — Eu vou conseguir.
—
Esse é mesmo o caminho! — Ele estava animado. — Não tenho dúvidas de que logo
você será bem sucedida.
—
Pegarei bebidas — disse Selene, deixando a sala.
Riana
achou graça. Eles estavam parecendo um grupo de amigos que se reunia na
floresta para conversar, mas, em vez disso, praticavam magia negra. Ela não
parecia de fato uma magia má, mas era arriscada para quem a usava. O resultado
podia ser bom e também era perigoso. Podia custar a vida do invocador.
Seu
carinho por Ian apenas crescia. Gostava até mesmo de Hazael e de seus
comentários sarcásticos e às vezes carregados de um tom ofensivo, mas com um
tom inteligente. Hazael parecia inteligente.
O
mago de fogo tinha o cabelo escuro como seus outros colegas, mas comprido. Era
comprido até abaixo de seus ombros e seus olhos eram um pouco mais claros que
os de Ian. Talvez ele fosse nascido ali em Sira mesmo, talvez em Nali, país
descoberto pelos antepassados de Nasser, colonizado pelos moradores de Sira.
Nali tinha várias características físicas do povo de Sira, mas havia uma
mistura de alguns países ali por ser um território novo se comparado com Sira e
Earine, por exemplo.
Ian
se aproximou com a faca novamente e a entregou para Riana. A aprendiz pegou a
faça sem hesitar e cortou a mão sem o medo que geralmente sentia. Seu mestre
percebeu.
—
Está melhorando — ele a encorajou, olhando-a fixamente. — Prossiga.
Riana
juntou as duas mãos após fazer o corte e concentrou seus pensamentos. Ainda
fazia isso preocupada, no entanto, se sua magia teria efeito. Ficou daquele
jeito por alguns segundos até perceber que ainda não tinha conseguido nenhum
progresso. Suspirou, mas estava obstinada a tentar pelo menos três vezes mais.
Sentiu-se intrigada ao perceber que, mesmo quando a magia não dava certo, o
corte em sua mão já estava cicatrizado e pronta para uma nova tentativa. Sorriu
discretamente e pressionou a faca contra a pele mais uma vez.
Nirina
passou a manhã inteira e metade da tarde dormindo. Quando acordou, Arthus não
estava em casa. Andou letárgica pela casa, indo até a cozinha buscar algo para
beber. Apesar de tanto tempo dormindo, não sentia fome.
Estava
estranhamente incomodada. Para onde Arthus poderia ter ido? Ele nem mesmo
deixara um bilhete. Será que havia saído com pressa? Alguém havia vindo
buscá-lo?
Sabia
que Arthus tinha sido um mago a serviço do Rei Nasser quando era mais novo.
Chegou a viver na Corte durante alguns anos, servindo como feiticeiro do
exército do Rei. Não sabia se ele tinha chegado a participar de batalhas, no
entanto.
Apesar
de carinhoso, Arthus era extremamente reservado. Conversava pouco sobre seu
passado com Nirina e ela não se sentia disposta a perguntar.
Com
um suspiro, a jovem maga decidiu que voltaria para cama. Apesar de estar sem
sono, não estava disposta a passar o dia estudando. A ideia de se mudar para a
Corte indicava que sua vida mudaria de um jeito radical e ela não sabia se
estava preparada para isso. Voltou para o quarto e deitou na cama, tentando
imaginar como seria sua vida a partir dali. Se conheceria outros magos, outros
aprendizes, e se teria novos amigos. De repente, pensou em Riana. Não havia
conversado com a amiga novamente e elas raramente passavam um dia sem se falar.
Logo seus pensamentos se voltaram a seus dons novamente, e ela adormeceu sem
querer.
Acordou
assustada com batidas à porta, seguida pela voz de Arthus.
—
Nirina — anunciou. — Posso entrar?
—
Sim — disse, levantando-se rápido e cobrindo sua camisola com o lençol.
Arthus
abriu a porta levemente e encarou Nirina com um sorriso.
—
Pretende passar o dia inteiro dormindo? Caso não tenha notado, já é noite.
—
Não, senhor! — disse Nirina, um tanto assustada. — Não pretendia dormir tanto,
desculpe.
—
Não precisa pedir desculpas — respondeu o mestre, acalmando-a. — Apenas se
vista e venha até a sala. Você tem visita.
Nirina
o encarou com um olhar interrogativo, mas nem teve tempo para perguntar. Assim
que Arthus terminou de falar, deu as costas ao cômodo e fechou a porta para que
ela pudesse se aprontar.
A
aprendiz colocou uma calça comprida e uma de suas túnicas azuis, que desciam
até a metade de suas coxas. Amarrou o laço à cintura e foi até o banheiro de
seu quarto, lavando o rosto. Encarou sua imagem no espelho: não estava assim
tão ruim. Escovou os dentes e passou uma escova pelos cabelos, rápida. Enfiou
os pés em suas pantufas e saiu do quarto. Não se arrumaria tanto assim, nem
precisaria sair de casa.
Nirina
foi andando devagar até a sala. Assim que chegou, viu que uma mulher
acompanhava Arthus. Ela parecia ter 30 anos, não muito mais do que isso, e não
era exatamente atraente. Era baixa e magra e usava uma túnica preta com um
capuz que era bem larga. As mangas eram compridas. A mulher estava com o corpo
todo coberto e o capuz jogado para trás enquanto conversava com Arthus sobre
Nirina. Os dois não a viram se aproximar.
A
visitante não tinha nada de especial. Não usava nenhuma joia e parecia
absolutamente comum. A aprendiz sentiu um arrepio estranho pelas costas, no
entanto.
—
Boa noite — disse Nirina, cumprimentando os dois.
Arthus
manteve-se em silêncio, e a visitante abriu um sorriso simpático.
—
Saudações, jovem aprendiz — disse ela, sem abandonar o sorriso. — Sou Zahra, a
maga clarividente de Sira.
Riana está muito danadinha com as magia negra! And a wild Zahra appears!!! *,,,,*
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